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maria.

06 Novembro 2009

08:39

Do Nothing, Stephan Brüggemann



Na mesma ordem de ideias, embora abrangendo um período de tempo mais curto (alguns meses em vez de vinte anos), um outro amigo, R., falou-me de um livro marginal que ele tentava localizar sem sucesso, esquadrinhando livrarias e catálogos à procura daquilo que devia ser uma obra admirável que ele ansiava ler; e contou-me como, uma tarde em que fazia o seu caminho pelo centro da cidade, tomou um atalho para a Grand Central Station, subiu o lanço de escadas que levava à Vanderbilt Avenue, e viu de repente uma jovem ao lado do friso de mármore com um livro à frente dela: o mesmo livro que ele tão desesperadamente tentava encontrar.

Embora não tivesse por hábito dirigir a palavra a desconhecidos, R. estava demasiado atordoado pela coincidência para ficar calado. «Acredite ou não», disse à jovem, «tenho andado à procura desse livro por toda a parte.»

«É maravilhoso», respondeu a jovem, «acabei agora mesmo de o ler.»

«Sabe dizer-me onde poderei encontrar outro exemplar?» peguntou R. «Não consigo explicar-lhe o que isso significa para mim.»

«Este é para si» respondeu a mulher.

«Mas é seu» replicou R.

«Era meu,» disse a mulher «mas agora já acabei de o ler. Vim aqui hje para lho dar.»



O Caderno Vermelho, Paul Auster

03 Novembro 2009

悟り

02 Novembro 2009

01:26

Rage, Ryuichi Sakamoto


Acredito em quem encena os seus extremos.


31 Outubro 2009

17:57

Sonhei com o Obama, a Michelle, as garotas e alguma da família desconhecida. Uma cunhada, aparentemente cantora, duas senhoras de idade (talvez avós) e gente que entrava e saía a um ritmo alucinante. Viviam numa casa modesta, ostensivamente ignorando os privilégios do cargo do primeiro, orgulhosamente unidos num desarranjo doméstico muito familiar. Também eu entrava e saía da casa , à porta do qual aguardava um enorme carro preto que jamais saíu da beira da estrada onde alguém o estacionou. As mesmas pessoas que entravam e saíam da casa entravam e saíam do carro, em ininterrupta circulação. Voltei vezes sem conta à casa, enternecida, nostálgica e muito babada.

Do cão, nem sinal.

29 Outubro 2009

23:14


Rosa Acidente é a minha amiga. A mãe abortou perfeições até ao nascimento do primogénito. Depois nasceu, aquele, protegido de tudo até hoje, gerado em repouso até à idade adulta. Sem ninguém esperar, a barriga encheu de novo. Era a Rosa Acidente. Mas ninguém queria mais medo, percalço ou estufa. A mãe lavou escadas, tectos, o telhado até. O pai foi trabalhar até tarde, enervando a mãe e os telhados, percalços e estufa.

Agarrada ao cordão umbilical com unhas e dentes, vociferou de fininho que daqui ninguém a tira.

00:57

Hoje parei na rua ao final do dia. Metade da rua e a outra metade dançavam, não ao som de música mas do fumo das chaminés, das quais se evola agora o aroma das primeiras lareiras com as primeiras castanhas do Outono. Nada que não tenha nunca sonhado, na descida íngreme da circular interna, quando ficava quartos de hora, meias horas inteiras aguardando o sinal que demorava pelo menos cinco vezes até chegar a mim.

20 Outubro 2009

23:32

V. diz
- mas porém,
A toda a hora. Adoro isto, embora me desconcentre deveras.

02:20

05 Outubro 2009

00:10


Recuso a sobremesa, quero só café. Traz-me um copo de pé baixo com café amargo no fundo, misturado com um licor que não identifica. Bebe, diz.


Um homem bonito tem ruído interior.

28 Setembro 2009

23:38

Mended Spiderweb #8 (Fitch Patch)
The Mended Spiderweb series,
(Portfolio: Uninvited collaborations with nature)

Dedicado a quem, por preguiça, gosta de vir aqui ler o que não está cá escrito.

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